Balbúrdia é desordem barulhenta, vozearia, algazarra, tumulto, situação confusa ou, ainda, complicação. A idéia do balburdia.blogger é mostrar vários pontos de vista sobre um mesmo tema. Pontos de vista de pessoas diferentes com pensamentos e experiências de vida diferentes. Aqui vai-se vivenciar as diferenças, ou, se você preferir, aqui vamos balburdiar.

............................................


[os que aqui balburdeiam]


* Paloma Saraiva:

estudante;
ela também versa e canta;
17 anos;
Belo Horizonte, MG;
SuperPaloma.

* Jean Prestes:

à toa na vida;
ele também come e dorme;
18 anos;
Vitória da Conquista, BA;
fichado!.

* Natália Boaventura:

estudante;
ela também morde e belisca;
18 anos;
Belo Horizonte, MG;
un coup de dés.

* Isaac Pereira:

futuro historiador;
ele também bebe e cai;
18 anos;
Vitória da Conquista, BA;
Cara Estranho.

............................................


[os links]


* Ainda Viro Gente;
* Bloco do Eu Sozinho;
* Dactilus Nigrus;
* funny way;
* Hellkiller;
* inimigo do inimigo;
* LAO;
* Meu Mundo e Nada Mais;
* novosrumos;
* Ponto de Vista;
* Por Enquanto;
* Rango na Madrugada;
* Sociedade Alternativa;
* Tigresse;
* Uaaai?!;
* Ultrapoderosa.

............................................


[as velhas balbúrdias]




............................................








template por: Paloma e Jean.

............................................


Site Meter



Domingo, Dezembro 25, 2005


Férias

O pessoal à toa do Balbúrdia decidiu-se por tirar férias. Isso mesmo: férias. Vagabundos? Talvez. O fato é que agora, nesse janeiro que se aproxima, cada um dos que aqui balburdeiam tomará seu rumo para algum misterioso local do mundo. Eles voltarão em torno do fim de janeiro com algumas pequenas modificações no Balbúrdia. Só pra dar um tcham para o novo ano.

Até lá!


* balburdiado por: Paloma, às 21:16h.
*
.

.................................................................................................................


Segunda-feira, Dezembro 19, 2005


Aviso

Medo

Porque você não sabe meu nome, porque você não sabe o que eu faço, porque você não me conhece: eu tenho medo. Pois se fossemos amigos, você não faria nada. Você simplesmente ignoraria. Até protegeria. Aí eu não seria seu alvo. Mas você não me conhece e não sabe meu nome, então eu tenho medo.

Você não se prejudicará se eu morrer. Você vai rir, ou vai passar por meu cadáver pensando no seu almoço. Você só se importaria se me conhecesse e é por isso eu tenho medo. Porque provavelmente você continuará não me conhecendo. Porque eu vou continuar assim, com medo.

Não é questão de covardia. É precaução.


* balburdiado por: Paloma, às 16:39h.
*
.

.................................................................................................................


Quarta-feira, Dezembro 14, 2005


Aos que não sabem da vida

Medo


Temo pelo futuro do mundo, e aposto que boa parte dos jovens politizados e que estão às portas das academias universitárias também estão tão temerosos quanto eu.
Mas, existe uma coisa que me deixa tão pessimista quanto os mais angustiados torcedores da seleção em época de copa do mundo. Minha mãe é um exemplo deste dito torcedor, ela não gosta que o Brasil chegue à copa com ares de favorito, e todo dia na hora do esporte ela fala: "O Brasil não vai ser campeão, vai entrar com salto ALTO.".

Eu não levo a sério o que ela fala, afinal de contas, ela não sabe nada de futebol.

Mas, voltando ao meu temor em relação ao futuro do mundo.

O que me deixa mais temeroso na verdade, é o que essa boa parte dos jovens politizados e que estão às portas das academias universitárias, falam com a certeza de quem sabe do futuro próprio e do alheio.

Por que, antes mesmo de ser lapidado e esculpido até se tornar obra prima, já desdenham do próprio escultor, não podem ir muito longe a nada, afinal uma obra artística não é nada mais do que o reflexo do seu criador, com alguns traços distintos, e desdenhar de si mesmo, é no mínimo ser imbecil.


* balburdiado por: Isaac, às 01:20h.
*
.

.................................................................................................................


Domingo, Dezembro 11, 2005


sem título

Hipocrisia

- Precisamos conversar..
- Olha, eu te amo muito, mas acho que devíamos terminar.
- É que eu não tenho sido um namorado exemplar..
- Não, eu jamais faria isso com você!
- Mas é claro que eu te amo! Você acha que, se eu não te amasse, nós estaríamos juntos todo esse tempo?
- É que.. bem, o amor aumentou, mas se transformou.
- Como? Te tenho quase como uma irmã.
- Não, isso não tem nada a ver com as minhas novas amigas.
- Mas.. eu queria que continuássemos amigos, sabe?
- Eu não queria te fazer chorar - nunca!
- Ah, se você não quiser eu vou entender, mas vou sofrer.
- Não, não me olhe assim..
- Talvez fosse melhor eu ter escrito uma carta.
- Ah.. te amo.


* balburdiado por: Nati, às 00:06h.
*
.

.................................................................................................................


Quarta-feira, Dezembro 07, 2005


Jogo de cartas marcadas

Hipocrisia

- Oi, tudo bom?

Ah, não. Se já não bastasse tudo o que aconteceu, ainda vem esse cretino com essa pergunta hipócrita. Pra ele pouco importa se eu estou bem ou se minha mãe morreu. E a verdade é que eu estou fudidamente mal. Fiquei em cinco recuperações; apanhei do meu pai; estou com um caroço atrás da orelha, que pode ser tanto uma pulga interna como um tumor malígno; meu time acabou de ser rebaixado pra terceirona; estou com um roxo-machucado na unha do pé, que todo mundo olha e me manda "limpar essa sujeira"; tomei três tocos de uma garota e mais dois de outra; percebi ontem que dentro das minhas narinas estão nascendo pêlos enormes e, no canto da minha testa, um vulcão. Eu, de fato, não estou nem um pouco bem!

- Tudo ótimo cara, e contigo?


* balburdiado por: Jean, às 19:52h.
*
.

.................................................................................................................


Segunda-feira, Dezembro 05, 2005


A esperada explicação

Razão

4 : 2 = 2

E está explicado que diabos é a RAZÃO


* balburdiado por: Paloma, às 13:45h.
*
.

.................................................................................................................


Quinta-feira, Dezembro 01, 2005


Sem mais razão

Razão

Quando é que você vai se tocar, que é só uma. Apenas mais uma, sem grandes privilégios?!
Sua pirralha.
È pirralha mesmo! Por quê? Não gostou!?
O problema é teu. Pensou que meu coração era brinquedo!? Em?! Sua criança com seios fartos.
Não gosta do jeito que falo? O que deixastes a mim? Para que eu não fale assim contigo!
Usou-me quando precisava, e agora fique a se jogar por aí, se enganar sem mim. Tudo ainda é pouco para demonstrar a dor que me cegou.
Revoltosa vontade de te ter ,de lhe colocar na parede, de lhe amar feito louco. E só pelo ódio que ainda sinto, é que me controlo.
Não pense que me tem na mão com esse olhar de menina que tem aos pés o mais sacana desejo.
Agora, vai e me deixa com esse amor desperdiçado em qualquer esquina , não nos merecemos. Vai ser amada por outro, que te traga ao gozo da dor de envelhecer, e ver que o mundo carrega cada coisa dita por bocas sujas. E eu vou ser meu melhor amigo. Sozinho por ai, sem ter que dever a você, razões pra te ter.


* balburdiado por: Isaac, às 02:06h.
*
.

.................................................................................................................


Segunda-feira, Novembro 28, 2005


Apaga

Apego

Desde muito cedo aprendera que a vida é feita de sofrimentos. Alguns sofrem por antecipação, outros em atraso, e existem ainda os que, brilhantemente, conseguem realizar a junção das duas situações.
Tivera bichinhos de pelúcia, dos mais variados tamanhos e cores, mas sabia que eles podiam voar janela afora ou acabar mergulhados numa poça qualquer, e procurou não se apegar a eles - ela sofreria.
Tivera muitos amigos - desde aqueles que a gente só tem pra pedir algo emprestado, até os que choram com você numa terça-feira ociosa -, mas sabia que, conforme o tempo passa, a maioria deles se vão, e procurou não se apegar também - ela sofreria, então.
Tivera uma família bonita, grande, do tipo que lota mesa de restaurante de ponta a ponta, mas um dia ela iria se casar, morar no exterior e a família ficaria para trás; não se apegou, assim, a ninguém - com o tempo, ela sofreria.
Tive um namoradinho de quem até gostava, mas procurou não se apegar a ele por saber que todos os relacionamentos algum dia acabam - e ela sofreria.
Tivera um bom emprego, com rótulo de satisfação garantida, mas o único que mantém o mesmo trabalho toda vida é o relógio, e ela procurou não se apegar a ele - sofreria, sofreria.
Tivera uma vida maçante, insossa, sem desejos - invernal.
E ao fim, só lhe restava um problema: havia se apegado ao desejo de não se apegar - e ela sofreria.


* balburdiado por: Nati, às 00:04h.
*
.

.................................................................................................................


Quarta-feira, Novembro 23, 2005


Um punhal bonito enfeitado com uma pedra vermelha

Apego

João tinha um punhal bonito enfeitado com uma pedra vermelha. A pedra também era bonita. Não sabia ele o nome dela. Para ele era uma pedra vermelha e pronto.

João não tinha mulher nem filhos. João não tinha cachorro, gato ou papagaio. João não tinha comida pra comer. João não tinha sequer um nome. Poderia ser Joaquim, José ou Manuel. Epamiondas, talvez. Mas era João. Embora João não fosse o seu nome. Ele era um João e pronto. Como todos os outros Joãos do mundo. Mesmo sem nome, João tinha um punhal bonito enfeitado com uma pedra vermelha. E isso o fazia gigantemente feliz. Embora felicidade ele não tivesse.

Mas, um dia, roubaram o punhal bonito enfeitado com uma pedra vermelha de João. E agora? Ficaria João sem nada na vida? Não. Nesse dia João ganhou uma outra coisa, de um senhor que o encontrou: uma fruta vermelha, que a gente come aos poucos, chamada "raiva". Agora João tinha raiva e queria o seu punhal bonito enfeitado com uma pedra vermelha de volta.

João pegou sua espingarda, embora ele não tivesse uma, e foi atrás do meliante desgraçado que havia roubado o seu punhal bonito enfeitado com uma pedra vermelha. Caminhou, caminhou. Procurou, procurou bastante. Cansava sim, mas descansava na mesma hora. Procurou um pouco mais e encontrou. Encontrou o ladrão usando o seu punhal bonito enfeitado com uma pedra vermelha para descascar laranja.


- Depois dizem que nesse país não há justiça!

Assim disse João, mesmo sem ter fala, após matar, com dois tiros da espingarda, o ladrãozinho. Terminou de comer a fruta que ganhara do senhor e voltou para a sua casa. Embora casa ele não tivesse. Foi terminar de viver a vida que ele não tinha, com a companhia do seu punhal bonito enfeitado com uma pedra vermelha.


* balburdiado por: Jean, às 18:14h.
*
.

.................................................................................................................


Domingo, Novembro 20, 2005


O saleiro

Saldosismo

Entrei no restaurante. Peguei a bandeja, o prato, os talheres. Escolhi minhas comidas. Paguei, me sentei. Preparei-me para a refeição. Coloquei azeite na salada. E o sal? Cadê o saleiro? Aquela famosa abanada de mão para o garçom: "O senhor poderia me trazer um saleiro? Aqui na minha mesa não tem..."

O garçom gentilmente apontou para pequenos e pobres pacotinhos ao lado do azeite. Uns cinco ou seis. Escondidos dentro da cestinha de tempeiros. Apertados entre o molho de pimenta e o vinagre. Alí estava o meu sal. Ou o que deveria ser o sal.

O garçom saiu e eu continuei a olhar para aqueles pacotinhos. Foi o fim. Por frações de segundo, o mundo perdeu a graça. Não havia como. Como almoçar sem o saleiro? Não havia como. Não havia como...

Ficar repetindo essa frase não adiantaria muito, saquei depois de algum tempo. Fui me aventurar, então, a usar os pacotinhos. Que tristeza! A beleza do saleiro não é substituível por nada, acreditem. Aquele espetáculo, aquela chuvinha de pequenos grãozinhos sendo salpicados na comida, tudo homogêneo, tudo lindo... E me substituem esse espetáculo por aquele fétido pacotinho. Aquele que você abre manualmente (o buraco fica enorme), derruma o sal na comida, cai mais de um lado do que do outro, sai tudo de uma vez... Ploft e pronto, o sal acaba. Mas que droga de invenção é essa?

Fico imaginando quando todos os saleiros forem substituídos por essa lástima da invenção humana. Nesse dia, nunca mais irei aos restaurantes. Falem o que quiser, mas saleiros são insubstituíveis.

O resultado daquele meu almoço foi trágico. A experiência com o pacotinho foi traumática. Desde então, se vou a um restaurante com pacotinhos, prefiro não usá-los. Eles deveriam ser banidos. Há certas coisas que são velhas, jurássicas, mas estão aí até hoje e dão de dez à zero nas novas. Uma delas é o Sílvio Santos e a outra é o saleiro.


* balburdiado por: Paloma, às 15:56h.
*
.

.................................................................................................................


Quinta-feira, Novembro 17, 2005


Saudade pouca, é bobagem

Saudosismo

Ela caminhava lentamente para dentro do carro, que a levaria para o seu futuro, e ela que queria que o futuro fosse algo tão simples quanto fazer bola de chiclete, por que quando ela era criança, era o que mais gostava de fazer, mascar chiclete assistindo ao seu desenho preferido.
Hoje o seu futuro parece tão presente, que dá um medo danado.
E eu sei que a única coisa que ela quer, é um abraço que lhe faça crer que a vida vale a pena, não pelo futuro, e sim pelo que ela tem no presente, os amigos.

A saudade chega e toma conta, e antes que ela me sufoque, a gente a sufoca junto no abraço.

Obs: Desculpa por não postar algo útil, este tema me bateu feito uma pedra nestes últimos dias em que a minha " MainhêÊÊêÊ gata" foi morar em salvador, desculpa também por não ter postado ontem, os dias parecem que estão na velocidade da luz.


* balburdiado por: Isaac, às 14:42h.
*
.

.................................................................................................................


Domingo, Novembro 13, 2005


Aliteração cotidiana

Cotidiano

Clareou o clarear de mais um claro dia
Levantou levemente, um levantar quase tácito
Mirou o espelho, mas alvo não tinha
Olhou-se, então, com um olhar inebriado
Tinha olhos de ressaca, mas nunca conhecera verdadeiramente o mar
A água escorreu sob a face escorreita
que lavava um pranto pranteado há tempos
Comeu comedidamente para manter o comedimento
e, paulatinamente, começou a matar o vazio comezinho, naquele comenos
Guiou o conversível à guia de um F1
mas o trânsito não sabia ser suficientemente transeunte
Pôs-se sob o assento posto em frente a um postigo
e reservou uma parcela para a próxima refeição.
O dia se arrastou furibundo
e após passá-lo funambuliando de antemão
retornou ao púrpura portento - ah, portento!
Num quadro silento
pintou retratos quase silvos, simploriamente
Morreu num sono sonhado
a morte corriqueira que satisfaz o corrido diário
E agora, com um dia a menos,
preparava-se para o cotidanear seguinte, aliterário


* balburdiado por: Nati, às 08:00h.
*
.

.................................................................................................................


Quarta-feira, Novembro 09, 2005


Vida e dia

Cotidiano

Nasceu.
Gostava do seu bico, da mamadeira e chorava quando desejava.
Virou criança, pensou.
Brincava de boneca e gostava que lhe contassem histórias para dormir.
A adolescência chegou.
Queria namorar e costumava gostar de vários garotos ao mesmo tempo.
Dezoito anos.
Preocupava-se com problemas.
Vinte e cinco anos.
Preocupava-se com problemas.
Trinta e cinco anos.
Preocupava-se com problemas
Cinqüenta anos.
Preocupava-se com problemas
Setenta anos.
Virou criança, pensou.
Setenta e sete anos.
Nasceu.


* balburdiado por: Jean, às 13:50h.
*
.

.................................................................................................................


Domingo, Novembro 06, 2005


Lápide de um transcendente.

Variantes da indecisão

Quando vão
os sonhadores
decidir sobre a razão...

...choram, perdedores.
Sonhadores vivem
de ilusão.

Do medo, correm
e dão com a indecisão
nas costas. Morrem.


* balburdiado por: Paloma, às 22:20h.
*
.

.................................................................................................................


Quarta-feira, Novembro 02, 2005


Com quem roupa eu vou, pro samba que você me convidou?

Variantes da indecisão

Tem gente que não sabe o que irá vestir, e outras que não tem o que vestir
Outros não sabem o que comer, e tem gente que não tem o que comer
Alguns não sabem a faculdade que irá cursar, bem e tem pessoas que não sabem escrever.

A indecisão é algo bem comum, as pessoas que tem certeza, é por que não tem opção, seja por simplesmente ter excluído a outra parte, ou por não ter outra parte, em parte alguma.
Bem, minha mãe é indecisa na cor das unhas, toda semana ela me pergunta qual a cor seria melhor, Eu não entendo de cor de esmalte, a última coisa que eu olho em uma mulher são as unhas.
Eu tinha indecisão, em como gastar meu dinheiro, não sabia se em doces ou no fliperama em frente à escola, hoje eu gasto meu dinheiro com coisas bem mais idiotas e eu não fico indeciso.

Ser indeciso não é algo estranho, estranho mesmo é ter certeza e querer controlar tudo como se fosse um jogo de cartas marcadas.
Ninguém precisa de uma carta de navegação, com todas as suas certezas, para viver. As certeza fogem da mente, e pegam um trem para o interior do sertão em um destes trens que nunca chegam no horário. E a graça da vida, é só essa.

"Na sua indecisão você nem viu
ninguém se importa com seu jogo
Você está em cheque e nem sentiu
E quem move as peças é você"


(Plebe Rude)




* balburdiado por: Isaac, às 13:01h.
*
.

.................................................................................................................